Alpine - Société Des Automobiles
Fundação: 1955 - Dieppe, França
Proprietário: Renault and Caterham Cars
Site: https://alpinecars.com/fr/
A Société des Automobiles Alpine SAS, ou apenas Alpine, como é conhecida, é uma fabricante francesa de carros esportivos, fundada em 22 de junho de 1955 em Dieppe - França, por Jean Rédélé, que nasceu em uma família que tinha o automobilismo correndo nas veias. Seu pai Emile Rédélé foi mecânico do piloto da Renault, Ferenc Szisz, vencedor do Grand Prix de la Sarthe e de Le Mans em 1906 e vice-campeão no Grand Prix de l'ACF em Dieppe em 1907.
No final da Primeira Guerra Mundial, a pedido do próprio Louis Renault, Emile Rédélé abrir uma concessionária Renault na cidade de Dieppe, onde se casou e teve três filhos. Jean, o primogênito, estudou economia em Paris, durante a Segunda Guerra Mundial. Seus estudos incluíram uma experiência sobre as práticas de trabalho da Renault, feita dentro de suas instalações. O resultado chamou a atenção de Pierre Dreyfus, o CEO da Renault naquele momento.
Solicitado a colocar suas ideias em prática, Jean Rédélé foi nomeado revendedor oficial da Renault em Dieppe, seguindo os passos de seu pai. Aos 24 anos, ele era o mais jovem vendedor de carros na França e em 1950 ele decidiu levar o novo Renault 4CV para a competição, argumentando que seria a melhor maneira de testar os carros, além de uma extraordinária ferramenta de vendas.
Sua estreia no Rally de Monte Carlo de 1950 não foi bem-sucedida, mas isso não desanimou Rédélé, que logo em seguida se inscreveu e venceu o primeiro Rally de Dieppe. O fato de ter superado os favoritos Peugeot 203 chamou a atenção da imprensa e da alta gestão da Renault, o que culminou na fabricação de uma versão especial de corrida, chamada 1063 do 4CV, que contava com uma transmissão de cinco velocidades. O 1063 foi um sucesso e ganhou várias competições em sua classe, entre elas a Mille Miglia.
Em 1952, a Renault, sob a gestão e pilotagem de Rédélé, liderou a corrida de Le Mans. Em 1953, lançou o Renault Spéciale, testado na Itália, que venceu a Porsche e a Jaguar no Rally de Dieppe e a Copa de Lisboa em Portugal. Em 1954, Rédélé venceu a Mille Miglia e, em seguida, a Critérium des Alpes. Essa última, exerceria uma enorme influência sobre o nome de sua futura empresa. Ele declarou, “Gostei muito de atravessar os Alpes no meu Renault 4CV e isso deu-me a ideia de chamar os meus futuros carros de ‘Alpines’, para que meus clientes experimentassem o mesmo prazer que eu senti ao volante”
Considerado um piloto campeão, Rédélé continuou a competir, em um A106, nome que deu ao carro que modificou com base em um Renault 4CV. Na Itália, seu amigo e colega da Renault, Jean-Claude Galtier, pilotava um carro construído sob as especificações de Rédélé. Em 1955, Galtier venceu a Mille Miglia na "Rédélé Spéciale", e Rédélé terminou a prova em segundo lugar. Essa dobradinha convenceu Rédélé a montar o seu próprio time, o “Alpine”, com bases em Dieppe.
A Société des Automobiles Alpine foi fundada em 25 de junho de 1955. Rédélé fez uma parceria com a Chappe et Gessalin, e juntos se tornaram um dos pioneiros na construção de carrocerias de fibra de vidro. Seu primeiro projeto foi criado pelo designer italiano Giovanni Michelotti, ele usava o motor do Renault 4CV e foi batizado como Alpine A106 ('A' de Alpine e '106' em relação ao número de referência - 1063 - do 4CV, que serviram como fonte de peças).
Sob a carroceria de fibra havia um chassi bastante rígido de estrutura tubular central que se tornaria a marca registrada de todos os Alpines. Ainda em 1955, com o apoio da Renault, 03 exemplares dos carros da Alpine foram lançados no Salão do Automóvel de Paris. Em um apelo patriótico, o primeiro carro foi pintado de azul, o segundo de branco e o terceiro de vermelho, acompanhando as cores da bandeira da França.
Uma curiosidade sobre a marca veio do fato de Rédélé não ter se atentado ao nome do carro que a Sunbeam lançara um ano antes, um cupê esportivo chamado "Sunbeam Alpine". Esta semelhança seria a causa de vários problemas ao longo da história da marca.
Os princípios de Rédélé eram bem objetivos: ele queria carros de design inovador, equipados com mecânicas simples, mas competitivas sob um corpo leve e atraente, usando o maior número de peças produzidas em massa para garantir preços e custos de manutenção baixos. Fundamentado nesses princípios, em 1958, o Alpine A106 evoluiu para o Alpine A108, equipado com o mesmo motor do Renault Dauphine (modelo que ficou conhecido no Brasil como Gordini).
O sucesso nos rallys foi tão grande, que em 1968 a Renault investiu todo seu orçamento destinado às competições, na Alpine. Também passou a vender os veículos da marca, em suas concessionárias espalhadas por toda a França. Nesse ano, a Alpine venceu o Coupe des Alpes e outros grandes eventos internacionais. Em 1969, uma nova fábrica foi construída para atender a demanda crescente, na própria cidade de Dieppe.
Em 1971, os veículos da Alpine terminaram em primeiro, segundo e quarto lugares no rally de Monte Carlo, usando carros com motores derivados do Renault 16. No mesmo ano, Rédélé apresentou no Salão do Automóvel de Genebra, um carro completamente novo, o Alpine A310, projetado para enfrentar o Porsche 911 e desenvolvido em parceria com o departamento de pesquisa da Renault Engineering.
Em 1973, a Alpine venceu o Campeonato Mundial de Rally, batendo a Porsche, a Lancia e a Ford. Durante esse período alguns acordos foram feitos para que os veículos da marca francesa, fossem fabricados em outros países como Espanha, México, Brasil e Bulgária. Os negócios iriam bem, não fosse a crise internacional de combustível que se iniciou naquele ano.
A salvação da marca veio de um aporte financeiro feito pela Renault que passou a ter participação de 70% da Alpine. Como sócio majoritário, a Renault extinguiu o departamento de competição da Alpine, substituída pela Renault Sport, dirigida pelo futuro piloto da equipe de F1, Gérard Larrousse.
Mas a empresa tinha planos bem definidos. Após conquistar vários campeonatos de rally, e agora com a segurança financeira da Renault, seu novo alvo era vencer em Le Mans. Para atingir tal feito, era necessário capitalizar com um veículo de uso comum, e em 1976, a empresa lançou o impressionante Renault 5 Alpine que vendeu incríveis 56.000 unidades e 23.000 unidades do modelo turbinado.
Com o sucesso desse modelo, a marca pode investir nas competições e em 1978 lançou o Renault Alpine A442B, e com ele veio o sonhado título de Le Mans. A Alpine também se aventurou pelas Fórmulas 2 e 3, porém, para manter a competitividade utilizou motores Ford-Cosworth e BMW, em seus veículos. Isso os levou a mudar os nomes dos carros, que ao invés de Renault ou Alpine, passaram a ser conhecidos por Elf 2 e depois Elf 2J.
Em 1977 a Alpine teve sua primeira participação no Campeonato mundial de Fórmula 1. Campeonato Mundial em 1977. Os resultados agradaram a todos e como consequência a operação de Fórmula 2 foi vendida para Willi Kauhsen e a Alpine passou a se concentrar nos programas de Le Mans e Fórmula 1.
A fábrica da Alpine em Dieppe continuou a se expandir durante os anos 1980, e passaram a produzir os carros da Renault e colocar emblemas Alpine em alguns dos seus veículos, o que perdutou até o inicio dos anos 1990, mas de 1991 a 1995, a produção do A610 foi de apenas 818 veículos. A empresa ainda pretendia colocar no mercado o Alpine A710, mas o custo previsto de 600 milhões de euros foi considerado grande demais e os projetos foram cancelados. Nesse momento, a Renault decidiu abandonar o nome Alpine.
Em outubro de 2007 (ano da morte de Rédélé, aos 85 anos, mas sem participação na Alpine há muito tempo), o chefe de marketing da Renault, Patrick Blain, anunciou que a Renault retomaria a marca Alpine para seus veículos de competição, e descreveu um novo modelo como sendo um "carro esportivo radical" e não apenas uma versão esportiva de um modelo comum. Em 2009, a Renault confirmou seus planos de reviver a marca Alpine
Em novembro de 2012, a Renault e a Caterham Cars anunciaram a compra de uma participação de 50% na Alpine Motor Company, para criar uma joint venture chamada Société des Automobiles Alpine Caterham ou SAAC, porém, em 2014, a Renault readquiriu a participação da Caterham na SAAC, rebatizando-a de Société des Automobiles Alpine, e em fevereiro de 2016, em um evento realizado em Monte Carlo, o chefe de grupo da Renault, Carlos Ghosn, anunciou o relançamento em 2017 da marca Alpine. Logo em seguida, no 87º Salão de Genebra, o Alpine Vision GT, foi apresentado ao mundo.















