AMC - American Motors Corporation
Fundação: 1954 - Southfield, Michigan, EUA
Último proprietário: Chrysler Corporation
Última sede: Michigan, EUA - Encerrada em 1987
Site: Não disponível
Em janeiro de 1954, a Nash-Kelvinator Corporation iniciou a fusão com a Hudson Motor Car Company, e dessa união, nasceu em 01 de março de 1954 a American Motors Corporation, que se tornou a quarta maior empresa automobilística dos EUA, com ativos de US$ 355 milhões e mais de US$ 100 milhões em capital de giro.
A nova empresa contratou o CEO da Hudson, Abraham Edward Barit, como consultor, e membro do conselho de Administração. George Walter Mason, de Nash, que havia sido o arquiteto da fusão tornou-se presidente e diretor executivo. Mason, acreditava que a sobrevivência das montadoras remanescentes dos EUA dependia de sua capacidade em desafiar as três gigantes americanas, General Motors, Ford e Chrysler.
Após a fusão, a AMC viu seus primeiros lucros durante o segundo trimestre de 1955 e pensando em melhorar os resultados da empresa, Mason fez um acordo com James J. Nance, presidente da Packard (Que pouco tempo apos outra fusão, viraria Studebaker-Packard Corporation), para adquirir algumas peças específicas para os carros da AMC.
A AMC combinou as linhas de produção da Nash e da Hudson em 1955, produzindo veículos das duas marcas na cidade de Kenosha. A fábrica da Hudson, em Detroit havia sido convertida para produção de veículos militares militar e acabou sendo vendida. As redes de revendedores Nash e Hudson foram mantidas cada uma com sua marca. Os Hudsons foram redesenhados incorporando o estilo dos Nash em sua carroceria.
As vendas dispararam no final dos anos 50, devido ao foco da AMC nos carros compactos e seus esforços de marketing, incluindo exposições nos parques temáticos da Disneylândia em Anaheim, Califórnia e o lançamento de veículos em propagandas de televisão, protagonizadas pelo próprio George Romney.
Enquanto Ford, GM e Chrysler, introduziam carros cada vez maiores no mercado, a AMC concentrou a empresa nos carros compactos, o que deu a Romney um grande destaque na mídia e ajudou a desenvolver a reputação da AMC, como construtora de carros econômicos e resistentes. Os executivos da empresa estavam confiantes no mercado e em 1959 investiram na expansão do seu complexo de Kenosha, com intuito de aumentar a capacidade de produção de 300.000 para 440.000 carros por ano.
Em 1959, a AMC contratou o designer Richard A. Teague, que já havia trabalhado para a General Motors, Packard e Chrysler; depois que Edmund E. Anderson deixou a empresa em 1961. Teague foi nomeado designer principal e em 1964, vice-presidente da empresa.
Em 1960 e 1961, os o Rambler, um dos modelos da empresa, tomou o terceiro lugar entre as vendas nos Estados Unidos, graças a estratégia de investir nos carros de pequeno porte, o que a tornou a AMC livre de dívidas. O sucesso financeiro permitiu a criação de um plano de participação nos lucros, algo totalmente novo na indústria automobilística.
Em 1962, Romney pediu demissão para concorrer ao governador de Michigan, e foi substituido por Roy Abernethy, executivo de vendas de sucesso da AMC, que acreditava que a reputação conquistada com os carros econômicos e confiáveis poderia alavancar uma nova estratégia e despertar o interesse dos compradores por carros maiores e mais caros.
Ele decidiu fazer modificações nos modelos, que passaram a compartilhar menos peças, elevando bastante o custo de fabricação, o que era preocupante já que a competição com Ford, GM e Chrysler, exigia mudanças contínuas no estilo dos veículos e consequentemente, mais gastos. Com isso a AMC ficou para trás na participação das vendas.
Para piorar a situação, problemas de controle de qualidade e segurança dos carros, geraram rumores de que a companhia poderia falir por causa de seu fluxo de caixa precário. Abernethy foi expulso da AMC em 9 de janeiro de 1967 e a responsabilidade de reestabelecer as finanças foi dada para Roy Dikeman Chapin Junior, filho do fundador da Hudson Motors, Roy D. Chapin.
Chapin rapidamente instituiu mudanças nas ofertas da AMC e tentou recuperar sua participação no mercado, concentrando-se em mercados mais jovens. A primeira decisão de Chapin foi reduzir o preço dos veículose mudanças que incluíam a padronização do ar condicionado em todos os modelos Ambassador de 1968, o que faria com que a AMC se tornasse a primeira montadora americana a equipar seus veículos com esse conforto.
Ela também entrou na onda dos “muscle cars”, apresentando o AMC AMX, e dos "pony cars" com o esportivo AMC Javelin. As vendas melhoraram e um caixa operacional adicional foi obtido em 1968 através da venda da Kelvinator Appliance, uma das unidades operacionais da empresa.
Chapin expandiu a linha de produtos da AMC em 1970, após adquirir a Kaiser Jeep Corporation, antiga Willys-Overland. Ainda no mesmo ano, a empresa consolidou todos os carros de passageiros com uma identidade única e lançou a linha de compactos AMC Hornet, que posteriormente compartilhou sua plataforma como o AMC Gremlin.
Mas os custos do desenvolvimento e produção dos novos modelos, drenaram o capital que poderia ter sido investido na atualização das linhas mais populares, e novamente, no final da década de 1970 a empresa enfrentava um nova grande crise. Em fevereiro de 1977, embora a AMC tivesse perdido US$ 73,8 milhões nos dois anos fiscais anteriores, os bancos americanos concordaram com a prorrogação de um ano para sua dívida, pelo fato de que os Jeeps haviam superado todas as expectativas de vendas da marca
Mas um novo grande golpe veio em 1978, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos ordenou a retirada de cerca de 270.000 veículos AMC das ruas, além de 40.000 Jipes e mini caminhões, para adequação do sistema de emissões, gerando um custo maior do que o faturamento da empresa em todo o trimestre anterior.
Um ano depois, com sua participação no mercado americano era de apenas 1,83%, o que a levou a fechar acordo com a Renault, para uma injeção de US$ 150 milhões em dinheiro, US$ 50 milhões em créditos, e também os direitos para começar a construir o Renault 5.
Em contrapartida, os produtos Renault seriam vendidos através da rede de revendedores AMC-Jeep. Com essa manobra a Renault adquiriu uma participação de 22,5% na AMC. Como resultado, a AMC anunciou no final de 1979 um lucro recorde de US$ 83,9 milhões em vendas.
Em 1º de maio de 1979, a AMC comemorou o 25º aniversário da fusão Nash-Hudson com o lançamento da linha Silver Anniversary, que incluíam o AMC Concord e o Jeep CJ, e eram pintados em dois tons de prata. Naquele momento os Jeeps CJ representavam 50% das vendas da empresa e a maioria dos seus lucros.
No início dos anos 1980, a ameaça não era mais limitada às três grandes montadoras americanas (General Motors, Ford e Chrysler). Os fabricantes japoneses (Honda, Toyota, Nissan) usaram métodos de produção simplificados, como a terceirização e o gerenciamento de cadeia de suprimentos Just In Time. Eles tinham fábricas de montagem novas e altamente eficientes nos Estados Unidos.
Enquanto os americanos recorreram às novas importações em números crescentes, a AMC continuou sua luta nas instalações ineficientes e envelhecidas de Kenosha, Wisconsin - a mais antiga fábrica de automóveis em operação contínua no mundo, onde os componentes e corpos inacabados ainda precisavam ser transportados pela cidade, com isso os s bancos recusaram créditos adicional da AMC.
Não tendo capital nem recursos para novos produtos, a empresa pediu para a Renault um novo aporte financeiro, o que a tornou, em setembro de 1980, a principal proprietária da empresa.
Em janeiro de 1982, Willis Paul Tippett Junior, substituiu Gerald C. Meyers como CEO, e Jose Dedeurwaerder, executivo da Renault, tornou-se presidente. Juntos eles simplificaram muitas das técnicas de gerenciamento da AMC, implantaram melhorias importantes nos layouts de fábricas e aperfeiçoaram os controles de custos e qualidade, porém, reforçando a fabricação dos veículos Renault e Jeep.
A nova linha de modelos compactos Jeep Cherokee e Jeep Grand Wagoneer cujas vendas iniciaram em 1984, ganhou popularidade imediata e foi definido como um veículo utilitário esportivo (SUV). q
Em 1985, com o combustível relativamente barato novamente, houve um grande desinteresse por parte dos consumidores nos modelos de pequeno porte da AMC e o foco passou a ser os automóveis maiores e mais potentes. Mesmo o Jeep CJ-5 foi descartado depois que um jornal expôs suas tendências de capotamento sob condições extremas. A empresa tambem sofreu sabotagem de veículos nas linhas de montagem, pelos proprios funcionários, por causa da ausência de aumentos salariais e de rumores sobre o fechamento da antiga fábrica de Kenosha.
A Renault, principal acionista da American Motors, estava passando por problemas financeiros na França. O investimento na AMC, incluindo a construção da nova fábrica de montagem canadense em Brampton, Ontário, forçou cortes que resultaram no fechamento de várias fábricas francesas e demissões em massa. Mesmo assim o presidente da Renault, Georges Besse, continuou a defender o futuro da empresa francesa no mercado norte-americano, para isso investiu na conclusão da mais nova e avançada fábrica automotiva na América do Norte, então conhecida como Bramalea Assembly.
No entanto, em 17 de novembro de 1986, Georges Besse, que tinha um perfil importante entre os capitalistas franceses, foi assassinado pelo Action Directe, um grupo extremista que professava fortes simpatias pelo proletariado e as aspirações do Terceiro Mundo. O grupo afirmou que o assassinato foi uma retaliação por Besse ter demitido dezenas de milhares de trabalhadores.
Sob pressão de executivos da Renault concordaram em vender sua participação na AMC para a Chrysler. A AMC tornou-se então a divisão Jeep-Eagle da Chrysler, que era o objetivo principal do CEO, Lee Iacocca. A venda marcou a saída temporária da Renault do mercado norte-americano, que só voltaria em 1999 após se unir a Nissan. Com isso, a AMC deixou de existir oficialmente em 1987, deixando um legado de inovação e coragem, que é admirado por muitos até hoje.

















































