
Fundação: 1955 - Désio - Itália
Fundador: Edoardo Bianchi e Giuseppe Bianchi
Último proprietário: Autobianchi
Última Sede: Désio - Itália - Encerrada em 1995
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Em 1885, Edoardo Bianchi fundou em Milão, a fábrica de bicicletas, F.I.V. Edoardo Bianchi S.p.AA, que ficou conhecida apenas como Bianchi. O sucesso nos negócios o levou a diversificar sua produção. Em 1897 ele lançou uma linha de motocicletas, que se manteria até 1967, e em 1899 entrou para o ramo dos automóveis. Seus veículos se destacavam pela beleza e atenção aos seus detalhes, o que agradava muito os consumidores.
Porem, durante a Segunda Guerra Mundial, um bombardeio destruiu sua fábrica, comprometendo severamente a produção e as finanças, fato agravado pela morte do próprio Edoardo Bianchi em 1946, em um acidente de carro. Foi dada a seu filho, Giuseppe Bianchi, a árdua tarefa de recomeçar os negócios, e apesar de conseguir reconstruir e modernizar a fábrica, as condições econômicas o forçaram a se concentrar nas bicicletas e motocicletas, que ainda eram sua maior fonte de renda, e extinguir a produção de automóveis.
Ferruccio Quintavalle, gerente geral da Bianchi, não aceitou que a empresa abandonasse a vasta experiência adquirida com a fabricação de automóveis, e liderou uma frente para criação de protótipos para possíveis novos modelos, porém, logo ficou claro que retomar a produção de automóveis não seria viável sem a ajuda de um parceiro mais forte. Por isso, Giuseppe recorreu aos grandes grupos industriais Fiat e Pirelli com a proposta de formar uma nova empresa para produzir automóveis. Assim, nasceu a empresa Autobianchi, com o acordo assinado pelas três partes em 11 de janeiro de 1955 e capital social de 3 milhões de liras, 33% das quais pertenciam à família Bianchi.
Uma nova e moderna fábrica para a produção de carros Autobianchi foi erguida em uma área de 140.000 metros quadrados na cidade de Desio, na Itália. Cada parceiros tinha papel e interesse claros no empreendimento. A Fiat forneceria a base técnica e componentes para a montagem dos carros, com intuito de entrar no mercado dos carros de pequeno porte. A Pirelli, que forneceria pneus para os carros, buscou expandir sua participação no mercado mais popular. E a Bianchi, foi encarregada de preparar montar completamente os veículos completos.
Os veículos
O primeiro carro a ser produzido pela nova empresa, em 11 de setembro de 1957, foi o Bianchina, cujo nome foi uma homenagem ao primeiro carro de 1899 de Edoardo Bianchi. O veículo usava motores de dois cilindros refrigerado a ar e montado na parte traseira, como o Fiat 500, mas apresentava linhas novas e elegantes, projetadas por Luigi Rapi, que era responsável pela unidade especial da Fiat. A Bianchina era um carro urbano de luxo, posicionado acima do Fiat 500 no mercado. Comercializado como um "segundo veículo doméstico" e um luxuoso "veículo recreacional", o Bianchina recebeu em 1960 uma versão Cabriolet, em seguida uma de 3 portas, denominada “Panoramica” uma de 2 portas chamada “Berlina” e finalmente, duas versões de vans.
No Salão Automóvel de Turim de 1963, a empresa apresentou o Autobianchi Stellina. Um spyder de duas portas, baseado no chassi do Fiat 600, mas com corpo construído em fibra de vidro, projetado por Tom Tjaarda. Ele foi o primeiro carro da a utilizar fibra de vidro. O veículo foi produzido apenas por dois anos (1964 e 1965) e apenas 502 foram construídos. No entanto, o modelo foi um passo importante no desenvolvimento de novas tecnologias para a Fiat e o resto da indústria automotiva. Seu alto preço de quase um milhão de liras enfatizava ainda mais o status elevado da marca Autobianchi dentro do império da Fiat.
Ainda mais importante foi a apresentação em 1964 do Autobianchi Primula. Foi a primeira tentativa da Fiat em produzir um carro de tração dianteira com um motor transversal, configuração popularizada pelo Britânico Mini. Projetado pelo diretor técnico da Fiat, Dante Giacosa, foi lançado sob a marca Autobianchi para testar a reação do mercado ao novo conceito.
A tração dianteira com um motor transversal, mas com uma caixa de câmbio na extremidade do motor e eixos de acionamento de comprimento desiguais, ao invés de uma caixa de câmbio no cárter como o Mini, tornou-se um “padrão” para a fabricação de carros pequenos, no mundo inteiro. O Primula tem, portanto, um significado muito maior do que é frequentemente percebido, já que sua influência no design se espalhou rapidamente, inclusive em projetos de carros maiores.
Apesar de o novo Autobianchi ter preços mais altos do que os modelos Fiat de tamanho similar, o carro teve uma recepção favorável, o que fez a Fiat mover gradualmente todos os seus modelos para a tração dianteira. Ao longo de sua produção, o Primula teve motores de 1221cc e 1197cc de quatro cilindros. O Primula Coupé S, top de linha da série, tinha motor de 1438cc e 75 cv do Fiat 124 Special. A falta de uma quinta marcha limitou a capacidade de ponta de todos os modelos Primula.
Os anos 1970
Durante uma grande crise no mercado de motocicletas, a Bianchi foi forçada a vender sua participação na Autobianchi e em 1968, a empresa foi totalmente integrada à Fiat S.p.A. O ano de 1969 trouxe muitas mudanças importantes para a marca. A produção do Bianchina foi finalmente interrompida, a Autobianchi foi posicionada dentro do Grupo Fiat sob o controle da recém-adquirida marca de luxo Lancia, e dois novos modelos Autobianchi foram lançados, o Autobianchi A111 e posteriormente, em 1972, o Autobianchi A112, ambos nomeados de acordo com seus códigos de desenvolvimento internos, de forma similar aos veículos com a marca Fiat.
A mecânica do Autobianchi A111, era derivada do Primula, marcando a primeira e única, entrada da marca na classe dos pequenos carros familiares. Como de costume, seu preço era mais alto do que os modelos semelhantes da Fiat. Depois de pouco mais de 50.000 Autobianchis A111 sairem da linha de produção, o modelo foi descontinuado em 1972, com a entrada do Autobianchi A112, um moderno supermini de tração dianteira, que ganhou grande popularidade na Itália e em toda a Europa. O A112 teve uma forte demanda e construiu um público fiel, reforçado pela introdução de versões esportivas Abarth e pelo envolvimento de Autobianchi em corridas com versões modificadas do modelo.
Independente do sucesso do A112, a Autobianchi tornou-se efetivamente uma marca de um único modelo, o que fez o grupo Fiat decidir , em meados da década de 1970, por vende-lo sob a marca Lancia, recém adquirida, na maioria dos mercados, exceto Itália, França e Israel, onde manteve a marca Autobianchi até o final da produção.
Fim da estrada
A A112 continuou em produção por notáveis 17 anos, e depois que mais de 1.250.000 unidades produzidas, eles foram finalmente substituídos em 1986 por um novo modelo, o Autobianchi Y10, baseado mecanicamente no Fiat Panda Vendido no Brasil, como Fiat Uno). Este carro foi comercializado desde o início de sua produção, como Lancia, tornando-se mais conhecido como o Lancia Y10. A fábrica de Desio foi finalmente fechada em 1992, com o Y10 sendo substituído pelo Lancia Y. A marca Autobianchi desapareceu completamente em 1996, e os direitos sobre ela, são agora detidos pelo Registro Autobianchi, o clube oficial da marca na Itália.

















