
Ano de fundação: 1919
Local: Cricklewood, Londres, Inglaterra
Fundadores: Walter Owen Bentley e Horace Millner Bentley
Proprietário atual: Volkswagen AG
Site: https://www.bentleymotors.com/en.html
Antes da Primeira Guerra Mundial, oficial da Ex-Royal Flying Corps, Walter Owen Bentley e seu irmão, Horace Millner Bentley, venderam carros franceses da DFP em Cricklewood, norte de Londres, mas W.O, como Walter era conhecido, sempre quis projetar e construir seus próprios carros. Em 1913 ele se atentou a um peso de papel feito de alumínio e achou que esse metal poderia ser um substituto adequado para o ferro fundido, na fabricação de pistões mais leves. Os primeiros pistões de alumínio Bentley foram instalados nos motores aeronáuticos Sopwith Camel durante a Primeira Guerra Mundial.
Em agosto de 1919, W.O. registrou a Bentley Motors Ltd. e apenas 3 meses depois, exibiu um chassi com um motor com quatro válvulas por cilindro, projetado por ele mesmo, e em dezembro, o mecanismo foi construído e executado. A entrega dos primeiros carros estava prevista para junho de 1920, mas o desenvolvimento demorou mais do que o estimado, então a data foi estendida para setembro de 1921. A durabilidade dos primeiros carros Bentley foi amplamente aclamada e eles competiram em provas de subidas e correram em Brooklands.
O primeiro grande evento da Bentley foi o Indianapolis 500 de 1922, uma corrida dominada por carros com chassis de corrida Duesenberg. Eles competiram com um carro de estrada modificado para o evento e pilotado por Douglas Hawkes, assessorado pelo mecânico, H. S. "Bertie" Browning. Hawkes completou os 800 km e terminou em 13º com uma velocidade média de 120,62 km/h após a partida na 19ª posição. O resultado foi visto como um sucesso e inspirou a Bentley a investir ainda mais nas corridas, o que a levaria a vencer Le Mans em 1924, em um carro pilotado por John Duff e Frank Clement. A mesma façanha foi repetida em 1927, 1928, 1929 e 1930, sendo que em 1930, a Bentley retirou-se do automobilismo alegando que havia aprendido o suficiente sobre velocidade e confiabilidade.
O empreendimento da Bentley sempre foi subfinanciado, mas inspirado pela vitória de 1924. Em 1925, o capitão Woolf Barnato "Babe", que havia adquirido um Bentley de 3l, e com ele vencido inúmeras corridas de Brooklands, e se tornado entusiasta da marca, concordou em financiar os negócios da Bentley.
Uma reorganização financeira da empresa Bentley original foi realizada e todos os credores existentes foram pagos. As ações desvalorizaram 95%, e Barnato adquiriu o suficiente para lhe dar controle sob a empresa e se tornar presidente. Em seguida ele ainda injetou mais dinheiro no negócio, e com sua contribuição financeira, W. O. Bentley pode se dedicar ao projeto de sua próxima geração de automóveis.
A paixão pela marcar era tão grande, que deu origem aos “Bentley Boys”, um grupo de entusiastas do automobilismo britânico que incluía Barnato, Sir Henry "Tim" Birkin, o caçador George Duller, o aviador Glen Kidston, o jornalista automotivo S.C.H. "Sammy" Davis e Dudley Benjafield. Eles eram ricos e muitos tinham formação militar, o que serviu para manter a reputação da marca de alta performance viva.
Em 1929, Birkin desenvolveu o Bentley de 4 ½ litros Blower, em Welwyn Garden City e produziu cinco unidades especiais para corridas, começando com o Bentley Blower No.1, que foi configurado para o circuito de corridas de Brooklands. Infelizmente, Birkin decidiu praticamente sozinho, colocar o modelo no mercado antes que estivesse completamente testado e revisado. Como resultado, os carros eram pouco confiáveis e reduziram a credibilidade da marca.
Em 21 de maio de 1930, durante a prova Blue Train Races, Barnato, que já havia derrotado o trem azul, dois meses antes, pilotando um Rover Light Six, repetiu a prova em um Bentley Speed 6½-litro Six. Ele dirigiu contra o trem de Cannes para Calais, em seguida, de balsa para Dover e finalmente, Londres, e novamente venceu a prova. O carro ficou conhecido como “Blue Train Bentley”.
A era Rolls Royce
O crash de Wall Street de 1929 e a consequente grande depressão, reduziram dramaticamente a procura pelos caros automóveis da Bentley, o que comprometeu seriamente suas finanças e obrigou a diretoria a colocar a empresa a venda. A British Central Equitable Trust, fez uma oferta vencedora e ficou com a Bentley. Mais tarde foi descoberto que a empresa era uma fachada para a Rolls-Royce Limited, e nem mesmo o próprio W.O. Bentley conhecia a identidade do comprador até que o acordo fosse concluído. Barnato, foi nomeado em 1934 para o conselho da nova Bentley Motors Ltd. No mesmo ano, a Bentley anunciou que continuaria a competir.
A Rolls-Royce assumiu os ativos da Bentley Motors Ltd e formou uma subsidiária, que manteve o mesmo nome. Entre os ativos estavam os showrooms da Bentley em Cork Street, a estação de serviço em Kingsbury, o complexo em Cricklewood e os serviços do próprio Bentley. A Bentley nunca havia registrado sua marca, então a Rolls-Royce imediatamente fez isso. A fábrica de Cricklewood foi vendida em 1932, e a produção parou por dois anos. Insatisfeito com seu papel na Rolls-Royce, assim que seu contrato expirou no final de abril de 1935, W. O. Bentley saiu para se juntar à Lagonda.
Quando o novo Bentley 3½ litros apareceu em 1933, era apenas uma variante esportiva do Rolls-Royce 20/25, o que desapontou alguns clientes tradicionais, mas foi bem recebido pelos demais. W. O. Bentley teria dito sobre o novo automóvel, "Levando tudo em consideração, eu preferiria possuir este Bentley do que qualquer outro carro produzido sob esse nome". Os anúncios da Rolls-Royce para o 3½ litros, chamavam-no de "o carro esportivo silencioso", um slogan que a Rolls-Royce continuou a usar para os carros Bentley até os anos 1950. Todos os Bentleys produzidos de 1931 a 2004 usaram chassis e motores Rolls-Royce herdados ou compartilhados.
Em preparação para a guerra, a Rolls-Royce e o governo britânico procuraram um local para uma fábrica que garantisse a produção de motores aeronáuticos. Crewe, com suas excelentes ligações rodoviárias e ferroviárias, além de estar localizada no Noroeste, longe do bombardeio aéreo que começava na Europa continental, era uma escolha lógica.
A construção da fábrica começou em uma área de 60 acres nos campos de batata da Merrill's Farm em julho de 1938, com o primeiro aero motor Rolls-Royce Merlin saindo da linha de produção cinco meses depois. 25.000 motores Merlin foram produzidos e no seu auge, em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica empregava 10.000 pessoas. Com a guerra na Europa e o movimento geral em direção aos novos motores a jato, a Rolls-Royce concentrou suas operações de motores aéreos e transferiu as operações de automóveis também para a Crewe.
Para atender à demanda do pós-guerra, e a pressão do governo do Reino Unido para exportar seus produtos, a Rolls-Royce criou o Bentley Mark VI, lançado no início de 1946. Alguns anos mais tarde, inicialmente apenas para exportação, foi lançado o Rolls-Royce Silver Dawn, tratava-se de um Bentley, mas com uma grade de radiador da Rolls-Royce.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Bentley retomou a produção de automóveis civis. Seus engenheiros produziram os chamados Bentley R-Type Continental por três anos, de 1952 a 1955. O chassi do Continental foi produzido de forma independente e vendido para outros fabricantes de automóveis, que apenas o completavam com suas próprias carrocerias.
Após o R-Type, foram lançados o Continental S1, S2 e S3, a partir de 1955. Em 1959, o S2, estreou com novo motor L-Series V-8, ainda usado em Bentleys contemporâneos. Ele também incorporou ar-condicionado e direção hidráulica de série, consideradas comodidades de ponta na época. O S3, por sua vez, era distinguível por seus quatro faróis dianteiros.
Durante a década de 1950 e início dos anos 1960, o Bentley Continental com seu motor potente, suspensões reduzidas, pensadas para melhorar o desempenho em alta velocidade, e design leve e sem ângulos do cupê fastback, ajudou a marca a se tornar um ícone britânico. A segunda geração do Continental terminou em 1965 com a introdução da Série T. Ele só voltaria a ser fabricado novamente a partir de 1984.
A era Vickers
Problemas com o desenvolvimento dos motores aeronáutico RB211 da Rolls-Royce, e uma queda de mais de 90% nas vendas entre 1970 e 1980, provocaram o colapso financeiro dos negócios em 1970. A divisão de automóveis foi segmentada em um negócio separado, a Rolls-Royce Motors Limited, permaneceu independente até ser comprada pela Vickers plc em agosto de 1980.
Sob a nova direção, a Bentley começou a recuperar sua herança de alto desempenho, tipificada pela Mulsanne de 1980. A imagem esportiva restaurada de Bentley criou um interesse renovado no nome e nas vendas, o que fez a produção voltar a crescer. Em 1986, o índice Bentley/Rolls-Royce havia atingido 40%/60%, e em 1991, chegou a paridade.
Mesmo com os negócios em alta, em outubro de 1997, a Vickers anunciou que decidira vender a Rolls-Royce Motors. A BMW AG parecia ser uma compradora lógica, pois já fornecia motores e outros componentes para os carros da Bentley e da Rolls-Royce e trabalhava com a Vickers na construção de motores para aeronaves, porém, a oferta de £ 340 milhões feita pela A BMW, não superou os £ 430 milhões, oferecidos pela alemã Volkswagen AG.
A era Volkswagen
A Volkswagen, adquiriu as empresas, os projetos de veículos, as fábricas e as instalações administrativas, mas não os direitos de uso do nome ou logotipo da Rolls-Royce, que permaneceram sob de propriedade da Rolls-Royce Holdings plc. A BMW continuou fornecendo componentes para a nova gama de carros Rolls-Royce e Bentley, principalmente os motores V8 para os motores Bentley Arnage e V12 para o Rolls-Royce Silver Seraph, mas o contrato entre as empresas, permitiu que a BMW interrompesse o fornecimento 1 ano antes do final de sua vigência, o que não seria tempo suficiente para a Volkswagen reprojetar os carros.
A BMW pagou à Rolls-Royce £ 40 milhões para licenciar o nome e o logotipo da Rolls-Royce. Após uma série de negociações, a BMW e a Volkswagen concordaram que, de 1998 a 2002, a BMW continuaria a fornecer motores e componentes e permitiria à Volkswagen o uso temporário do nome e logotipo da Rolls-Royce. Esse acordo durou até 2003 com o fim da produção da Silver Seraph.
A partir de 1 de janeiro de 2003, a Volkswagen seria o único fornecedor de automóveis com a marca Bentley. A BMW estabeleceu uma nova entidade legal, a Rolls-Royce Motor Cars Limited, e construiu uma nova sede administrativa e instalações de produção para veículos da marca Rolls-Royce em Goodwood, West Sussex, Inglaterra. Nesse mesmo ano, a produção do Bentley Azure, foi interrompida para o início de uma nova linha, o Bentley Continental GT, um grande coupé de luxo equipado com um motor W12 construído totalmente em Crewe.
Depois de adquirir o negócio, a Volkswagen modernizou a fábrica de Crewe e aumentou sua capacidade de produção. No início de 2010, havia cerca de 3.500 trabalhando em Crewe, em comparação com cerca dos 1.500 de 1998, antes da aquisição. Foi relatado que a Volkswagen investiu aproximadamente US$ 2 bilhões no renascimento da Bentley.
A demanda passou a ser tão grande que a fábrica de Crewe não conseguiu atender às encomendas, apesar ter capacidade para produzir 9.500 veículos por ano; havia uma lista de espera de mais de um ano para que carros novos fossem entregues. Para minimizar o problema, parte da produção do novo Bentley Flying Spur, uma versão de quatro portas do Continental GT, foi transferida para a Transparent Factory, na Alemanha, onde também era montado o luxuoso Volkswagen Phaeton. Esse acordo durou até 2006, quando toda a produção de automóveis voltou para a fábrica da Crewe.
Em abril de 2006, a Bentley lançou com grande sucesso, os conversíveis Bentley Azure e Bentley Continental GTC. Em 2008, uma série limitada de corrida, também foi anunciada e apelidada de Bentley GTZ. E em 2009 foi a vez do Bentley Supersports Continental, ser apresentado no salão de Genebra, que combinava extrema potência com a tecnologia FlexFuel.
As vendas da Bentley continuaram a aumentar e, em 2005, 8.627 veículos foram vendidas em todo o mundo, 3.654 nos Estados Unidos. Em 2007, esse número aumentou para 10.014, porem os anos seguintes apresentaram grandes quedas, com 7.600 unidades vendidas em 2008, e assustadoras 4.616 em 2009, o que gerou um prejuízo operacional milionário para a empresa. Como resultado da queda nas vendas, a produção na Crewe foi interrompida durante março e abril de 2009. Em 2010, os trabalhadores da Crewe realizaram uma série de protestos contra a proposta de trabalho compulsório às sextas-feiras e horas extras obrigatórias durante a semana.
As vendas de veículos subiram 37% em 2011, e chegaram a 7.003 unidades, sendo que o Bentley Continental GT, foi responsável por mais de um terço das vendas. Nesse momento a Bentley empregava 4.000 pessoas, e conseguiu obter lucro depois de 2 anos de grandes perdas. Em 2014, um Bentley Continental GT3 foi inscrito e venceu a rodada de Silverstone da Blancpain Endurance. Esta foi a primeira participação oficial de Bentley em uma corrida britânica desde de 1930.
Mesmo com sua história conturbada, a Bentley se mante como uma das marcas mais reconhecidas mundialmente. A qualidade aliada à atenção aos detalhes e segurança, fazem com que seus veículos se destaquem e mantenham a marca no coração de milhares de admiradores em todo o mundo. São realmente carros sensacionais.



















