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BMW - BAYERISCHE MOTOREN WERKE A.G.

Fundação:  1916 - Munique, Alemanha

Fundadores: Karl Rapp, Camillo Castiglioni, Franz Josef Popp

Proprietário: Bayerische Motoren Werke AG 

Sede atualMunique, Bavária, Alemanha 

Sitehttp://www.bmw.de/de/home.html

 

Em 1913, Karl Friedrich Rapp fundou a Rapp Motorenwerke perto da cidade de Oberwiesenfeld. Ele escolheu o local pela proximidade da Flugmaschinenfabrik, fábrica de Gustav Otto, para quem fornecia seus motores de quatro cilindros. Rapp havia sido contratado pela Austro-Daimler que não conseguia atender sozinha a demanda por motores V12 para aeronaves. Franz Josef Popp que supervisionava a construção de motores para aeronaves na Austro-Daimler, foi enviado a Rapp, para supervisionar a qualidade dos seus produtos, mas não se limitou ao papel de observador, e se envolveu ativamente na gestão geral da empresa.

 

Rapp, produzia uma pequena quantidade de excelentes motores denominados BMW Illa, mas as instalações pequenas e antiquadas, a baixa especialização de mão de obra e sua limitada capacidade de produção estavam muito abaixo da demanda gerada pelo Reichswehr, força militar alemã, que necessitava produção em massa para o esforço de guerra. Porém, a empresa tinha a qualidade dos motores a seu favor, e recebeu ajuda financeira do governo alemão, para investir no que fosse necessário. Assim, em pouco tempo, a BMW conseguiu os trabalhadores qualificados e o maquinário que precisava. Além disso, também recebeu o apoio financeiro necessário para construção de uma fábrica completamente nova.

 

Por ter capital social muito pequeno, a construção da nova fábrica e o capital de giro necessário para a operação, tiveram que ser financiados a partir de fundos externos, basicamente, empréstimos bancários. Os ministérios de guerra da Baviera e da Prússia não queriam continuar apoiando a BMW com empréstimos e garantias, e, portanto, instaram a abertura de uma empresa pública limitada, e em 7 de março de 1916, a Rapp Motorenwerke tornou-se Bayerische Motoren Werke GmbH, ou “Fábrica de Motores da Baviera”, mais conhecida por BMW.

 

A mudança de nome obrigou a administração a criar um novo logotipo para que a empresa fosse patenteada, no entanto, eles permaneceram fiéis às imagens do antigo emblema da Rapp Motorenwerke, que havia sido criado pelo irmão de Karl, Ottmar Rapp. Assim, os dois desenhos se fundiram. O nome da empresa foi colocado em um círculo preto, e divisões azuis e brancas, foram inseridas no centro, representando as cores da bandeira nacional da Baviera, assim nascia a inconfundível logomarca da BMW. No final da década de 1920, houve uma nova interpretação que relacionava o círculo, com uma hélice em rotação.

O genro de Karl Rapp, Max Wiedmann, que detinha cerca de 80% das ações da Rapp Motorenwerke. permaneceu como o principal acionista da empresa. Em 13 de agosto de 1918, Wiedmann inscreveu no Registro Comercial a BMW AG, que assumiu todos os ativos de fabricação, carteira de pedidos e força de trabalho da BMW GmbH. A antiga BMW GmbH foi rebatizada de Maschinenwerke Schleißheimerstrasse e foi liquidada em 12 de novembro de 1918. O capital social da BMW AG, foi subscrito por três grupos de investidores. Um terço das ações foi dividido em partes iguais pelo Bayerische Bank e pelo Norddeutsche Bank. Um terço adicional das ações foi adquirido pelo industrial de Nuremberg, Fritz Neumeyer. Isso garantiu que a maior parte do capital estivesse nas mãos de empresas ou bancos da Bavária, o que agradou em muito o governo bávaro. O último terço das ações da BMW foi ocupado pelo financista vienense, Camillo Castiglioni.

 

Quando a primeira guerra acabou, em 1918, era importante para o governo alemão, que as empresas retomassem a produção civil o mais rápido possível, assim, o comissário de desmobilização militar, responsável pela Baviera, ordenou o fechamento da fábrica da BMW, entendendo que ela servia apenas ao esforço de guerra. A ordem foi cumprida em 6 de dezembro de 1918, quando as fábricas foram desativadas.

Em 28 de junho de 1919, com a assinatura do Tratado de Versailles, os alemães foram proibidos de construir motores para aviões, durante cinco anos. Como esse era o único produto da BMW, a empresa viu-se em uma situação muito difícil. Buscando uma solução rápida para seus problemas, a BMW projetou e fabricou o motor M2B15 para a Victoria Werke AG de Nuremberg. O motor foi inicialmente concebido como um motor industrial portátil, mas encontrou seu principal uso em motocicletas de Victoria. O motor também foi usado na motocicleta Helios construída pela Bayerische Flugzeugwerke, que mais tarde foi incorporada à BMW AG

Após a fusão, Franz Josef Popp, pediu ao Diretor de Design Max Friz que avaliasse a motocicleta Helios. Friz, condenou o layout de eixo transversal do virabrequim que restringia fortemente o resfriamento do cilindro traseiro da motocicleta. Após o veredito, Popp e Friz concordaram em refazer o projeto com um design totalmente novo, para tornar a motocicleta mais vendável. Assim nasceu a BMW R32, com motor boxer e sistema cardam, que teve sua produção iniciada em 1923, tornando-se a primeira motocicleta da marca. E um veículo vendável para a BMW.

 

Em 20 de maio de 1922, Camillo Castiglioni comprou o nome BMW e o negócio de construção de motores da Knorr-Bremse. Castiglioni não comprou as instalações da BMW em sua transação, em vez disso, ele fundiu sua outra empresa, a Bayerische Flugzeugwerke (BFw) com a BMW e estabeleceu a fábrica e a sede da BMW nas instalações da BFw, também na cidade de Munique, local onde se encontra a sede da BMW até hoje.

Os carros, as motos e as guerras

 

Em 1928, a BMW comprou a Dixi Automobil Werke AG. O único produto da empresa no momento da compra era um automóvel denominado Dixi 3/15 PS, uma cópia licenciada do Austin 7, cuja produção tinha começado em 1927. Ele foi renomeado para BMW 3/15 e tornou-se o primeiro carro de produção da BMW.

No final de 1930, a BMW tentou atualizar o 3/15 e lançar o BMW Wartburg DA3, mas não obteve sucesso pois os projetos resultaram em acidentes com os protótipos, causado por falhas na construção. Em 1932 um novo teste foi feito com o BMW 3/20 PS AM, esse sim, obteve resultados muito bons e animadores para a marca.

Mas o primeiro grande lançamento, viria em 1933 com o lançamento do BMW 303, que era equipado com o novo motor M78 de seis cilindros em linha, fabricado pela própria BMW. O 303 serviu como base para o BMW 309 de quatro cilindros, o BMW 315 e o BMW 319. Seu chassi ainda era utilizado nos roadsters BMW 315/1 e BMW 319/1, e no BMW 329. Em 1936, foi lançado o BMW 326, um carro maior e com estrutura mais rígida, que seria o primeiro sedan de quatro portas da BMW. Ele ganhou uma versão mais curta denominada BMW 320, que substituiu o 303, o BMW 321 e o coupé BMW 327.

 

Ainda em 1936, o BMW 328 substituiu os roadsters 315/1 e 319/1. Ele foi equipado com o motor M328, e venceu a corrida de Eifelrennen em Nürburgring daquele ano, na categoria de 2,0 litros, o Grande Prémio Brescia de 1940 e mais 100 vitórias em vários campeonatos. Ele também teve uma versão estendida em 1939, o BMW 335, um carro de luxo com o motor M335 de 3,5 litros. Esses carros e suas conquistas levaram a marca BMW a uma boa situação de crescimento.

Segunda Guerra Mundial

 

Com o início da segunda grande guerra, as fábricas alemãs foram obrigadas a direcionar sua produção para a fabricação de produtos necessários para o esforço de guerra. Em 1939, a BMW comprou a Brandenburgische Motorenwerke, com sede em Spandau, também conhecida como Bramo, do grupo de empresas Siemens e fundiu-a com sua divisão de motores de aeronaves sob o nome de BMW Flugmotorenbau GmbH. Usando uma nova fábrica em Allach, fora de Munique, iniciou a produção de motores de aeronaves no final daquele mesmo ano.

 

Em Allach, uma grande variedade de motores aeronáuticos foi produzida para a Luftwaffe, incluindo um dos motores mais potentes da época, o BMW 801. Mais de 30.000 motores aeronáuticos foram fabricados até 1945, bem como mais de 500 motores a jato, como o BMW 003. Para possibilitar esse enorme esforço de produção, foi utilizado trabalho forçado, consistindo principalmente de prisioneiros de campos de concentração como Dachau. No final da guerra, quase 50% da força de trabalho da BMW AG, de aproximadamente 50.000 pessoas, era formada por prisioneiros de campos de concentração.

 

No final da guerra, a BMW foi bombardeada, reduzindo a maioria das instalações de produção da empresa a escombros. A fábrica de Munique, por exemplo, foi completamente destruída, e as instalações no leste da Alemanha (Eisenach-Dürrerhof, Wandlitz-Basdorf e Zühlsdorf) foram tomadas pelos soviéticos. Os aliados proibiram a BMW de fabricar qualquer tipo de veículos motorizado, durante a guerra, e para sobreviver a esse período, ela usou equipamentos recuperados para faze, panelas e frigideiras, depois outros suprimentos de cozinha e em seguida, bicicletas.

Em 1945, com o final da segunda guerra, a fábrica em Eisenach foi vendida para o grupo soviético Awtowelo, e no mesmo ano o BMW 321, voltou a linha de produção. Em 1948 a empresa lançou o BMW 327, e em 1949 o BMW 340. Para proteger a marca registradas, a BMW AG separou legalmente sua filial da Eisenach. Com isso, a Awtowelo pode continuar com a produção do 327 e do 340 sob a marca Eisenacher Motorenwerk (EMW). Em 1947, a empresa recebeu uma concessão dos Estados Unidos, para fabricar motocicletas, e em 1948 lançou a BMW R24, desenvolvida por Alfred Böning,

Uma curiosidade sobre esse período, é que Kurt Donath, diretor técnico da BMW, tentando melhorar o capital da empresa, ofereceu a empresas, que incluíam a Ford e a Simca, o licenciamento dos seus veículos antigos, com o intuito de que os compradores, levassem também as ferramentas que para a BMW, já estavam ultrapassadas.

Enquanto Donath tentava encontrar um comprador para licenças dos carros antigos, Böning desenvolveu um protótipo para um pequeno carro econômico movido por um motor de motocicleta, de 600cc e uma caixa de câmbio de quatro marchas, que foi batizado como BMW 331. O corpo foi projetado por Peter Schimanowski e se assemelhava a um BMW 327 em miniatura. O projeto foi vetado pelo diretor de vendas Hanns Grewenig, que acreditava ser melhor aplicar toda capacidade de produção para carros de luxo com altas margens de lucro.

 

A equipe de Böning, criou então o BMW 501, apresentado em 1951. Seu custo era equivalente à cerca de quatro vezes o salário médio da Alemanha, valor muito alto para época. Além disso ele era muito pesado e pouco potente. Mas em 1954, o veículo recebeu uma versão melhorada e para seu motor de seis cilindros e foi dividido em dois modelos, o BMW 501A praticamente com o mesmo acabamento do seu antecessor e uma redução de 6% no seu preço, e o BMW 501B com acabamento um pouco inferior, mas redução 15% em relação ao 501 original.

Em 1955, foi a vez do BMW 502, um veículo mais luxuoso que trazia sob seu capô ou fantástico motor V8 de alumínio e 2,6 litros, projetado por Bõning e Fiedler. Seu sucesso foi instantâneo e dobrou as vendas de carros de luxo da BMW. Esse resultado empolgou os executivos da BMW, que decidiram construir um esportivo baseado no 502. O designer Albrecht von Goertz foi escolhido para conduzir o projeto e no verão de 1955, ele apresentou o belíssimo BMW 507 roadster, no hotel Waldorf-Astoria em Nova York no verão de 1955. Uma segunda versão com quatro lugares, denominada BMW 503, também foi apresentada no Salão de automóveis de Frankfurt, naquele ano.

 

Nessa mesma época, os alemães estavam se interessando por veículos pequenos e econômicos como como o Messerschmitt e o Goggomobil, e quando Eberhard Wolff, chefe de desenvolvimento, viu o carro-bolha Iso Rivolta Isetta no Salão do Automóvel de Genebra de 1954, imediatamente sugeriu a seus gerentes a possibilidade de obter a licença necessária para construí-lo. A proposta foi aceita e a BMW comprou a licença e o ferramental necessário. A produção da do BMW Isetta começou em 1955 e mais de dez mil unidades foram vendidas naquele ano. Até o final de sua produção em 1962 o veículo vendeu 161.728 unidades.

A BMW também precisava de um carro familiar de quatro lugares para acompanhar a crescente riqueza e as expectativas do povo alemão, mas não conseguiu acesso ao financiamento necessário desenvolver um novo carro para esse mercado. Eles criaram então, BMW 600, um carro de quatro lugares baseado no Isetta, porem mais longo e com um motor de motocicleta com 0,6 litros montado na traseira, que foi lançado em 1957, porem, ele não foi páreo para o poderoso Volkswagen Fusca e sua produção foi encerrada em 1959, com mesmo de 35.000 unidades fabricadas.

Uma empresa à venda

 

Em 1959, a BMW estava em dívida e perdendo dinheiro. O Isetta estava vendendo bem, mas com margens de lucro bastante pequenas. Seus sedans de luxo baseados no 501 não estavam vendendo bem o suficiente para serem lucrativos e estavam se tornando cada vez mais obsoletos. O 503 coupé e o 507 roadster eram caros demais para serem rentáveis, e as vendas do 600, iam muito mal.

 

Em 9 de dezembro de 1959, o Hans Feith, presidente do conselho de supervisão da BMW, propôs uma fusão com a Daimler-Benz. Os negociantes e pequenos acionistas se opuseram a essa sugestão e se uniram em torno de uma contraproposta do Friedrich Mathern, que obteve apoio suficiente para impedir a fusão. Naquela época, o Quandt Group, liderado pelos irmãos Herbert e Harald Quandt, havia aumentado suas participações na BMW e se tornado seu maior acionista. No final de novembro de 1960, os Quandts possuíam dois terços das ações da BMW entre eles, e com isso, tomaram a frente dos negócios.

A empresa, lançou, então o BMW 700, um pequeno carro com um motor boxer de 697 cm, refrigerado a ar, derivado do motor que alimenta a moto BMW R67. Ele estava disponível como um sedam de 2 portas e como um cupê, ambas as versões projetadas por Giovanni Michelotti. Houve também um modelo RS mais potente para corridas.

 

No Salão do Automóvel de Frankfurt, em 1961, a BMW lançou o BMW 1500, um sedã compacto com freios a disco dianteiros e suspensão independente nas quatro rodas. Esta especificação moderna consolidou ainda mais a reputação da BMW de carros esportivos. Baseada no 1500 a empresa também lançou o BMW 1600 e o BMW 1800. Em 1966 o 1600 ganhou uma versão de duas portas e em 1967, uma conversível. Esses modelos deram origem a série '02', dos quais o 2002, produzido entre 1966 e 1977, foi o mais conhecido. Essa fase marcou um recomeço próspero para a fabricante alemã.

 

Entre 1994 e 2001, sob a liderança de Bernd Pischetsrieder, a BMW, tendo comprado a British Aerospace, era também proprietária da British Rover Group. Com isso, a empresa passou a ser proprietária das marcas, Rover, Mini e Land Rover, bem como das inativas Austin, Morris, Riley, Triumph e Wolseley.

O empreendimento não foi bem-sucedido. A BMW achou difícil reposicionar a montadora inglesa ao lado de seus próprios produtos e a divisão Rover enfrentou intermináveis ​​mudanças em sua estratégia de marketing. Nos seis anos sob administração da BMW, a Rover posicionou-se como uma montadora premium, uma montadora de mercado de massa, uma divisão da BMW e uma unidade independente. Até que a BMW decidiu desmembras as empresas e dar destinos específico para cada uma delas, como por exemplo a Mini, que se mantem como uma marca independente, sob a administração da BMW, até hoje.

 

Atualmente, além das unidades na Alemanha, a BMW tem acordos para produzir seus carros, na Rússia, China, Áustria, Egito e Índia. Ela é também proprietária de outras duas marcas britânicas icônicas, a Rolls-Royce e a Mini. A marca está avaliada mais de 34 bilhões de dólares e ocupa a posição de número 11 no ranking das marcas mais valiosas do mundo.

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