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Histoia Borgward

BORGWARD

Nome completo: Goliath-Werke Borgward & Co.

Fundação: - Goliath: 1923 e Borgman, 1936 - Bremen, Alemanha

Fundadores: Carl Friedrich Wilhelm Borgward

Proprietário: Borgward Group AG (Inativa entre 1966 e 2008)

Sede atualStuttgart - Alemanha

Sitehttps://www.borgward.com/

 

Em 1914 as fabricantes de automóveis Hansa Automobilgesellschaft, de Varel, na Alemanha, e a NAMAG - Norddeutsche Automobil und Motoren GmbH, fabricante dos automóveis Lloyd, sediada em Bremen, também na Alemanha, se fundiram formando a Hansa-Lloyd-Werke A.G. Depois da guerra primeira guerra mundial, a situação econômica da Alemanha, impediu que a empresa prosperasse, e no final da década de 1920, ela decretou falência.

 

Carl Friedrich Wilhelm Borgward, fundador da Goliath-Werke Borgward & Co, viu naquela situação, uma excelente oportunidade de expandir seus negócios, e em 1929 comprou a Hansa Lloyd Werke A.G, que convenientemente, estava sediada em frente à fábrica da Goliath. Carl, continuou produzindo automóveis sob a marca Hansa, como o Hansa Konsul e o Hansa Matador.

Ele também aproveitou os pequenos Hansa 400 e Hansa 500, que se enquadravam nas regras fiscais que favoreciam a fabricação de carros pequenos, da mesma forma que os seus anteriores Blitzkarren, produzidos desde 1924. O Blitzkarre, era uma pequena van de três rodas com 2 hp, que fez enorme sucesso entre os pequenos comerciantes, que a compravam para fazer suas entregas. O próprio Reichspost, responsável pelo serviço postal, utilizou várias unidades do veículo.

Em abril de 1933, as regras fiscais que favoreciam os carros pequenos foram abolidas, e Carl decidiu produzir um novo Sedan de quatro portas e quatro cilindros, lançado em 1934, que foi chamado de Hansa 1100. Ao 1100 se seguiram o Hansa 1700, também de 1934, o Hansa 2000, de 1938, com motor de seis cilindros e o Hansa 2300, em 1939, que permaneceu em produção até 1942. A partir de então, os automóveis passaram a ostentar a marca "Hansa Borgward", e depois apenas "Borgward", entinguindo assim, a marca Hansa.

 

Em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, Carl Borgward usou algumas das marcas adquiridas ao longo dos anos para fundar três empresas distintas: a Borgward, a Goliath e a Lloyd. Para muitos propósitos, as empresas seriam administradas como uma entidade única, mas a proliferação de entidades jurídicas, trouxe uma complexidade inútil durante os anos 50 e no final, se mostrou financeiramente insustentável. Mas mesmo diante do cenário desfavorável, a empresa apresentou o Borgward 1500, em 1949.

Problemas financeiros

 

Embora a Borgward tenha sido pioneira no uso de itens como suspensão a ar e transmissão automática, ela tinha dificuldades para acompanhar seus concorrentes maiores, como a Opel e a Volkswagen, que tiravam proveito da economia de escala para manter seus preços baixos e aumentar sua participação no mercado. A estrutura de custos da Borgward era maior do que o necessário para seu tamanho, pois operava como quatro pequenas empresas independentes e não implementava estratégias de redução de custo como desenvolvimento conjunto e compartilhamento de peças entre as marcas. Isso fez com que os produtos perdessem sistematicamente a qualidade.

Um forte exemplo foi o Lloyd Arabella, que era tecnicamente avançado para sua época, trazendo refrigeração a água e tração dianteira, mas apresentava problemas crônicos como vazamento de água e falhas na caixa de câmbio. Isso fez com que a Lloyd perdesse dinheiro com o carro, mesmo senso o mais caro entre seus concorrentes diretos.

 

Relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela Borgward, surgiram em um devastador artigo publicado pela revista alemã “Der Spiegel” em 14 de dezembro de 1960. Ele mostrava Carl Borgward, de 70 anos, como um maníaco pela proliferação de modelos novos e modificados com inovações tecnológicas aventureiras, mas subdesenvolvidas, que davam origem a componentes frágeis e de baixa qualidade, que por sua vez, geravam contas enormes para remediação no pós-venda.

O artigo também criticava o estilo de gestão de Carl Borgward, que nunca demonstrara grande interesse por opiniões divergentes das suas, enfatizando fortemente a demissão de 2.000, ocorrida pouco tempo antes, em um período de poucas oportunidades de emprego em outras montadoras alemãs. Eles falavam sobre uma ausência singular de sensibilidade humana. Além desse artigo, outras críticas surgiram em jornais e nos noticiários da televisão.

 

Em dezembro de 1960, Borgward pleiteou mais um milhão de marcos de empréstimo aos bancos alemães, baseado em uma garantia que o governo regional de Bremen, concordaram em fornecer. No entanto, após a enxurrada de comentários críticos da imprensa, as garantias foram retiradas. Eles agora exigiam que Carl Borgward comprometesse a própria empresa com o estado em troca da garantia. Depois de uma tensa reunião de 13 hora, Borgward concordou com os termos do Senado, e em 4 de fevereiro de 1961, a empresa entrou em liquidação, evitando assim a falência do negócio.

O Senado de Bremen também insistiu em nomear seu próprio candidato como presidente do conselho supervisor da companhia. O homem que escolheram foi Johannes Semler. A nomeação de Semler contribuiu para a controvérsia que se seguiu à falência da Borgward.

 

Em 28 de julho de 1961, Semler, auditou as três empresas do Grupo Borgward, para viabilizar acordo sancionado pelo tribunal que permitisse aos negócios continuar a funcionar, protegendo assim os interesses dos credores. Porém, dois meses depois, em setembro de 1961, os negócios de Borgward e Golias foram declarados falidos, seguidos em novembro pelo negócio Lloyd. Os "teóricos da conspiração" sugeriram que Semler, por razões próprias, nunca teve qualquer intenção de permitir que os negócios da Borgward sobrevivessem.

Carl Borgward morreu em julho de 1963, insistindo que a empresa era tecnicamente viável, e isso provou ser verdade, pois após o pagamento total dos credores, ainda havia 4,5 milhões de marcos remanescentes do negócio. No entanto, havia quem entendesse que mesmo parecendo viável, se a empresa continuasse negociando além de 1961, não haveria perspectiva para geração de caixa suficiente para o pagamento das dívidas futuras, geradas pela própria operação. Por isso, ela era vista pelos potenciais investidores e credores como uma perspectiva muito mais arriscada do que havia sido anteriormente.

Teoria da conspiração

 

Foi sugerido, que o massacre da mídia lançado contra a Borgward no final de 1960 era parte de uma campanha bem orquestrada de outras montadoras alemãs, invejando seu sucesso e identificando uma oportunidade para eliminar um rival significativo. Mesmo sendo lido atualmente, o artigo de Spiegel é agressivo, partidário e desalinhado com o com a sequência histórica de fatos, que o caracterizou como a mais séria reportagem de negócios da época.

 

A própria nomeação de Johannes Semler, analisada posteriormente, pareceu uma escolha estranha, por conta de sua nomeação simultânea, em 1960, para o conselho da BMW em Munique, que era sua mais recente base política.

 

Na verdade, a nomeação de Semler para a diretoria da BMW foi um dos vários eventos que, marcaram uma rápida ascensão na fortuna da BMW. A BMW chegou perto da falência em 1959, mas foi resgatada graças a um enorme investimento adicional de Herbert Quandt, que se tornou o acionista majoritário da BMW. Há aqueles que afirmam que o papel de Semler na falência de Borgward era parte de uma conspiração orquestrada em nome da BMW para derrubar a Borgward, por conta de um “nicho” específico de veículos médios, ocupado pelo Borgward Isabella.

O planejamento de Borgward foi considerado pela auditoria de Semler, extremamente dispendioso pela sua grande e desnecessária gama de produtos lançado em um período curto de tempo. Na Alemanha Ocidental, apenas a Opel, chegava perto de Borgward em frequência de mudanças nos modelos, mas a Opel tinha o apoio financeiro da General Motors, a maior montadora do mundo, enquanto a Borgward tinha apenas uma facilidade de crédito generosa, mas não sem fim, do banco estatal local.

Para Semler, a queda na reputação da empresa não foi simplesmente o resultado de reportagens maliciosas da imprensa, a Borgward havia sido administrada por um autocrata de 70 anos sem um plano óbvio de sucessão. No auge das negociações de crise, em 1961, Carl Borgward recebeu, e rejeitou com firmeza, uma oferta de 200 milhões de marcos pelos seus negócios, feita pela Chrysler, o que reforçou a teoria de insolvência da Borgward.

Post mortem

 

Em 1966, a mesma revista Der Spiegel publicou um novo artigo sugerindo que, com um pouco mais de apoio, e se o proprietário estivesse mais disposto a aceitar conselhos de seus próprios diretores, a empresa Borgward poderia facilmente ter superado os problemas financeiros de 1961. Carl Borgward era financeiramente ingênuo e relutante em aceitar conselhos.

 

Ele evitava os bancos, pedindo simplesmente que tivesse tempo extra para pagar seus credores, e rejeitava qualquer conselho sobre o financiamento de seus negócios, vindo do seu próprio diretor financeiro. Em outono de 1960, ele tinha faturas de não pagas no valor de mais de 100 milhões de marcos apenas em chapas metálicas e pneus. Porém, dado que todos os credores da empresa foram integralmente pagos, a decisão de liquidação pareceu, ter sido tomada prematuramente.

Renascimento

 

Em 2008, o Borgward Group AG foi formado por Christian Borgward ,neto de Carl F. W. Borgward, e Karlheinz L. Knöss. Com investimento e fabricação da Beiqi Foton Motor, subsidiária da BAIC, um importante grupo automotivo chinês, o grupo Borgward começou a vender SUVs em janeiro de 2017.

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