
Fundação: 1919 - Paris, França
Proprietário: Peugeot - Citroën Automobiles S.A.
Site: http://www.citroen.fr
A Citroën é uma importante marca francesa de veículos, fundada em 1919, na cidade de Paris, França, por André Citroën, que durante a primeira guerra mundial, forneceu armamentos militares para as forças armadas da França. Entre 1908 e 1914, André, havia trabalhado na Mors Automobile, uma das primeiras fabricantes francesas de automóveis, fundada por Émile Mors, em 1897, e foi com o conhecimento que adquiriu lá, que decidiu entrar para os negócios automotivos.
Em 1916, ele pediu ao engenheiro Louis Dufresne, que já havia trabalhado para a Panhard, que projetasse um automóvel que ele pudesse produzir na sua fábrica de armamentos, quando a guerra terminasse. Ele queria um carro leve, robusto, bem equipado, com boa qualidade e que pudesse ser fabricado em quantidades suficientes para ser vendido a um preço inferior ao de seus rivais.
O resultado foi o Citröen Type A, anunciado à imprensa em março de 1919 e exibido em um Show Room no número 42, na Champs-Élysées em Paris, que normalmente vendia carros da marca Alda. André persuadiu Fernand Charron, proprietário da Alda, a emprestar-lhe o show-room, e até hoje, A Citroën organiza exposições e mostra seus veículos e carros conceito, nesse show room. Alguns anos mais tarde, a Charron se tornou um grande investidor da Citroën. O primeiro Tipo A, foi entregue em 7 de julho de 1919, e nesse mesmo ano houve uma tentativa malsucedida de vender a marca para a General Motors.
Entre 1921 e 1937, a Citroën produziu e comercializou veículos off road para uso militar chamados de Citroën-Kégresse, que era impulsionado por esteiras traseiras. O Exército dos EUA obteve licença para produzi-los, e esse projeto deu origem ao M2 e M3 Half Track Car. Isso impulsionou as finanças da empresa e Citroën, que era um grande profissional de marketing, patrocinou expedições na Ásia, na América do Norte e na África, demonstrando o potencial dos veículos equipados com o sistema Kégresse para atravessar regiões inóspitas. Ele também usou a Torre Eiffel como o maior letreiro publicitário do mundo, conforme registrado no Guinness World Records.
Em 1924, a Citroën iniciou um relacionamento comercial com o engenheiro americano Edward Gowen Budd, para fabricação de carrocerias de aço, e no Salão do Automóvel de Paris, apresentou o Citroën B10, o primeiro automóvel com corpo todo em aço da Europa. Esses automóveis foram inicialmente bem-sucedidos, mas logo os concorrentes introduziram novos designs de carroceria, e a concorrência ocasionou grandes perdas para a Citroën.
Em 1925, um de seus modelos, o Citroën C3 Torpedo, percorreu 48.000 km, em solo australiano, pilotado por Neville Westwood, para provar a resistência dos automóveis da marca. Este veículo foi restaurado e está na coleção do Museu Nacional da Austrália. Em 1927, André buscou auxilio dos bancos para estabilizar seus negócios, e percebendo a necessidade de diferenciar seu produto para evitar a concorrência em torno de seus modelos de propulsão traseira, em 1933, ele introduziu o Citroën Rosalie, um carro de passageiros com motor a diesel, desenvolvido com Harry Ricardo.
Em 1934 um novo veículo denominado Citroën Traction Avanti, projetado por André Lefèbvre e Flaminio Bertoni, se tornou pioneiro na produção em massa de três características revolucionárias que ainda estão em uso hoje: um corpo monobloco sem chassi separado, suspensão independente nas quatro rodas e tração dianteira. Ainda em 1934, a Citroën contratou a American Budd Company para criar um protótipo, que evoluiu para o Citroën 7 Traction Avant, que tinha 32hp.
Mas o investimento no desenvolvimento rápido da Traction Avant, na reconstrução da fábrica, necessária para a produção dos novos modelos, e nos esforços de marketing, foi muito alto e causou a ruína financeira da empresa, e a Citroën pediu concordata em dezembro de 1934. Naquele momento a Michelin, era seu maior credor, e em uma negociação amigável, tornou-se a principal acionista da Citroën.
Felizmente para a Michelin, a Traction Avant, teve excelente aceitação no mercado, e a filosofia básica da tecnologia de ponta usada como um diferencial, continuou até o final dos anos 90. Em 1935, Pierre Michelin tornou-se o presidente da Citroën, e Pierre-Jules Boulanger, seu vice-presidente e chefe dos departamentos de engenharia e design. Nesse mesmo ano, André Citroën morreu vitimado por um câncer no estômago. Boulanger, assumiu a presidência em 1938, quando seu amigo, Pierre Michelin, também faleceu após um acidente de automóvel.
Durante a ocupação alemã da França na Segunda Guerra Mundial, Boulanger se recusou a se comunicar com as autoridades alemãs, exceto através de intermediários. Ele organizou um "slow motion" na produção de caminhões para a Wehrmacht, muitos dos quais foram sabotados na fábrica, onde colocavam a vareta de óleo no lugar errado, o que resultava na perda precoce dos motores. Em 1944, quando a sede da Gestapo em Paris foi saqueada pela Resistência Francesa, seu nome era destaque em uma lista negra nazista dos inimigos mais importantes do Reich.
Os pesquisadores da Citroën, incluindo Paul Magès, continuaram seus trabalhos em segredo, contra as ordens expressas dos alemães, e desenvolveram os conceitos que depois foram trazidos ao mercado em três veículos notáveis , o pequeno Citroën 2CV, uma van de entrega Citroën H e um carro familiar grande e rápido, o Citroën DS. Estes foram amplamente considerados pelos jornalistas contemporâneos como soluções inovadoras para o design automotivo. Assim começou um longo período fidelidade à Citroën, normalmente vista na apenas em marcas como a Porsche e a Ferrari.
A Citroën revelou o Citroën 2CV, ou “dois cavalos”, no Salão de Paris em 1948. O carro tornou-se um best-seller, alcançando o objetivo da empresa em fornecer aos franceses rurais uma alternativa motorizada ao cavalo. Era um veículo barato com um minúsculo motor de dois cilindros. Este carro permaneceu em produção, com apenas pequenas alterações, até 1990 e foi uma visão comum nas estradas francesas até recentemente. 8,8 milhões de variantes do 2CV foram produzidas no período de 1948 a 1990.
Em 1955, foi lançado o Citroën DS, o primeiro veículo da marca a usar o sistema de suspensão autonivelante hidropneumático e os freios a disco. Um único sistema hidráulico de alta pressão foi utilizado para ativar a direção hidráulica, a suspensão e os freios. Na versão Citromatic (transmissão semiautomática), o sistema também operava a embreagem, através de pistões na tampa da caixa de câmbio que trocavam as marchas. A partir de 1968, o DS também introduziu faróis direcionais, que se moviam com a direção, melhorando a visibilidade à noite.
O carro foi um sucesso por vários aspectos, entre eles, a sonoridade do nome, pois a pronuncia da sigla se assemelhava a fonética da palavra “déesse”, que significa Deusa. Ele ficou em terceiro lugar na competição Car of the Century de 1999. A partir do DS, o sistema hidráulico de alta pressão, que inclui a suspensão autonivelante, formaria a base de mais de 9 milhões de carros Citroën, incluindo o DS, o SM, o GS, o CX, o BX, o XM, o Xantia, o C5 e o C6. Esses veículos compartilhavam a característica distintiva de subir para a altura de operação quando o motor era ligado, como um "camelo mecânico" (de acordo com a revista Car & Driver). Ainda sobre a suspensão autonivelante, em 1963 a Mercedes Benz, conseguiu criar um sistema similar, muito mais caro, que evitava a patente de propriedade da Citroën, e só em 1975, lançou o Mercedes-Benz 450SEL 6.9 com este sistema, que é oferecido até hoje.
Após a segunda guerra mundial, o sistema os impostos para carros com grandes motores eram extremamente altos na França e em quase toda Europa, isso prejudicou os negócios da Citroën. Mas em 1964, em parceria com a NSU Motorenwerke, a empresa, desenvolver o motor Wankel através da subsidiária Comobil. Com isso ela teria um motor pequeno, porém mais potente, e desenquadrado dos altos impostos.
Em 1965 a Citroën assumiu a montadora francesa Panhard na esperança de usar sua expertise em carros de tamanho médio. A cooperação entre as duas empresas havia começado doze anos antes quando concordaram com uma fusão parcial de suas redes de vendas em 1953. A Panhard deixou de fabricar em 1967.
Em 1968, a Citroën comprou a fabricante italiana de carros esportivos, Maserati, com o objetivo de produzir um carro mais potente, enquanto mantinha os modelos menores, dentro dos limites para tributações baixas.
O primeiro veículo produzido após a aquisição, foi o Citroën SM de 1970, que era equipado com um motor Maserati V6 e a suspensão hidropneumática. O Maserati Quattroporte de 1974, era praticamente o mesmo Citroën SM, com uma carroceria modificada.
Ainda em 1968, as operações mundiais foram reestruturadas sob uma nova holding, a Citroën SA. A Michelin, antiga acionista controladora da Citroën, vendeu uma participação de 49% para a Fiat, no que foi referido como o acordo PARDEVI (Participation et Développement Industriels). Após a mudança, os anos de 1970 começaram bem, com o lançamento do Citroën GS, um carro de porte médio que preenchia a lacuna entre o Citroën 2CV e o Citroën DS. Ele vendeu 526.443 unidades em 1971 e 601.918 em 1972, volume suficiente para elevar a segundo lugar entre as montadoras francesas, quando classificadas em volume de unidades.
Com o decorrer dos anos 70, as circunstâncias tornaram-se mais desfavoráveis. Em 1973, a Fiat vendeu de volta para a Michelin sua participação na holding. O anúncio deixava claro que os benefícios previstos em sua união em 1968 não haviam se concretizado, e o pior, isto não estava de acordo com a estratégia de longo prazo da Michelin, de acabar com o envolvimento no negócio de fabricação de automóveis, o que criou uma situação muito instável para Citroën.
A empresa sofreu outro golpe financeiro com a crise energética de 1973. A aposta na Comotor e na Maserati não trouxeram os resultados esperados. Em 1974, a montadora se retirou da América do Norte devido aos regulamentos de design norte-americanos que proibiam as principais características dos carros da Citroën. Com isso, quarenta anos após a primeira falência, a Citroën faliu novamente. A holding vendeu a Berliet e Maserati e fechou a Comotor.
A era da PSA Peugeot Citroën
Temendo uma crise de desemprego, o governo francês organizou conversações entre a Citroën e a Michelin decidindo fundir a Citroën e a Peugeot em uma única empresa. E em junho de 1974, a Citroën anunciou a nova parceria, desta vez com a Peugeot, a quem a Michelin concordou em transferir o controle do negócio. Naquele ano, a Peugeot SA adquiriu uma quota de 38,2% da Citroën e em 1976, aumentou essa participação para 89,95%, criando assim a PSA -Peugeot Société Anonyme - Peugeot Citroën, conhecida atualmente, apenas como PSA Group.
Este novo empreendimento foi um sucesso financeiro de 1976 a 1979. A Citroën teve dois novos projetos de sucesso no mercado, o Citroën GS e o Citroën CX. No auge da crise do petróleo, a marca também teve o ressurgimento das vendas do Citroën 2CV e do Citroën Dyane. A PSA também comprou os ativos antigos e os passivos substanciais da Chrysler Europe.
A PSA, seguindo a tendência mundial de compartilhamento de plataforma, eliminou gradualmente a abordagem ambiciosa da Citroën sobre engenharia e estilo. Durante toda a década de 1980, os modelos da Citroën tornaram-se cada vez mais semelhantes aos da Peugeot. No final dos anos 80, muitos dos traços distintivos da marca haviam sido removidos ou alterados. Os carros eram mais banais e convencionais, mas também capazes de entrar em novos mercados, como o do Reino Unido.
Em 1980, o Citroën 2CV Charlston, com carroceria em duas cores e faróis arredondados, foi apresentado com a intenção de ser uma série especial de apenas 8.000 unidades, porém, o sucesso foi tão grande que ele passou a ser produzido em série até o final de 1981. Em 1982, foi lançado o Citroën BX, um automóvel de linhas retas e cinco portas, que permaneceu em produção até 1993, e durante esse período, ganhou 34 versões diferentes.
Com o lançamento do Citroën XM em 1989, um novo sistema de suspensão que combinava eletrônica e hidráulica, foi utilizada pela primeira vez em um automóvel. Isso voltou a impulsionar as características inovadoras da marca francesa. Em 1991, a série Citroën ZX, trouxe quatro modelos distintos, o Reflex, o Avantage, o Aura e o Volcane planejados para grupos específicos de consumidores. Eles foram os primeiros automóveis europeu a serem vendidos com um bancos traseiros deslizantes e encostos com inclinação ajustáveis.
Ainda em 1991, a empresa inaugurou sua fábrica na China, o que lhe trouxe um novo e gigantesco mercado. Ela ainda apresentou no Salão de Frankfurt, o Citroën ZX Diesel. Em 1993 o Citroën Xantia, trouxe um design externo que enfatizava a elegância e o refinamento, comuns aos antigos Citroëns. Ele foi o primeiro automóvel que destacava o famoso “Chevron”, logotipo da marca. Sua produção foi encerrada em 2001, após vender mais de 1.2 milhões de unidades.
O Citroën Jumper de 1994, foi uma van de grande porte, desenvolvida para atividades comerciais, que atingia um nicho pouco explorado pela Citroën, e em 1995, a Citroën Jumpy, se posicionou entre os furgões compactos, com capacidade de carga útil de 815 kg. Em 1996, o lançamento do Citroën Berlingo, que trazia um design inovador e diversos equipamentos de segurança nada comuns em utilitários comerciais, fechou o conjunto de comerciais da marca. O Berlingo vendeu 1.800.000 unidades durante sua produção, consolidando liderança incontestável em mais d 17 países.
Em 1997, um carro de médio porte com versões de 3 e 5 portas batizado de Citroën Xsara entrou em produção e dois anos depois em 1999, foi a vez de uma minivan feita sobre a mesma plataforma do Xsara, a Citroën Xsara Picasso. Enquanto o Xsara saiu da linha de produção em 2004, o Picasso se tornou um sucesso de vendas e permanece com versões até os dias atuais.
Ainda em 2009 a Citroën apresentou sua nova divisão que atuaria no segmento dos carros de luxo. Seu nome, DS, foi herdado de um dos veículos de maior destaque na história da marca, o Citroën DS de 1955, que também serviu de inspiração para o Slogan da DS, “Spirit of avant-garde”. Seu primeiro lançamento foi o Citroën DS3, e essa divisão, já vendeu mais de 600 mil unidades desde seu lançamento. Em 2014, se tornou uma marca independente da Citroën, tanto que seus produtos não ostentam mais o emblema da tradicional marca francesa. Em 2015, a nova marca anunciou a criação de uma divisão de competição, a DS Performance.
Em 2010, seguindo as tendências mundiais de redução de poluentes, a Citroën lançou no Salão de Automóvel de Paris, seu primeiro modelo elétrico, o Citroën C-Zero. Seu motor atingia 64cv, usando baterias de lítio que lhe dava autonomia de 150 km e tempo de recarga de 6 horas. O C-Zero, trazia o mesmo conjunto de equipamentos que os modelos movidos a gasolina, incluindo o controle de tração.
Mesmo com algumas dificuldades financeiras em 2014 e com o aporte recebido pela chinesa Dongfeng Motors. As marcas Citroën e DS estão desenvolvendo novas tecnologias e planejam crescer 15% até 2020, de acordo com a CEO da Citroën, Linda Jackson, e o CEO da DS, Yves Bonnefont.
Deux Chevron
Os dois “V” invertidos, usados como logotipo da Citroën desde 1919, representam a engrenagem bi helicoidal, criada por André Citroën. Durante sua história, esse símbolo sofreu algumas alterações. Em fevereiro de 2009 a montadora apresentou seu novo logotipo em três dimensões. A fonte da letra utilizada, também foi alterada. O objetivo foi estabelecer um marco a partir de onde a empresa se reinventaria por completo, porém sem esquecer o legado de sucesso que construiu. Essa alteração fez parte das comemorações de 90 anos de existência da Citroën.
As competições automotivas
Desde os anos 1930, a Citroën construiu uma sólida tradição de participação nos rallies por todo o mundo. O próprio Citroën Mehari, foi por muitos anos, o veículo oficial do Paris Dakar. O Citroën DS, esteve presente nas edições de 1959 até 1965 do Rally de Monte Carlo, Mônaco, e também no World Rally Championship, de 1973. O Citroën Xsara e mais atualmente o Citroën C4 WRC, também fizeram importantes participações, pilotados por grandes pilotos como o francês Sébastien Loeb, o espanhol Daniel Sordo, e o monegasco Daniel Elena.
Em 2008, Sebastian e Elena conquistaram o pentacampeonato no Mundial de Pilotos e a Citroën, tetracampeã do Mundial de Construtores. Em 2010 o Citroën C4 encerrou sua participação nos rallies depois de 36 vitórias em 56 competições. Isso o colocou na galeria especial de veículos participantes.
Atualmente a Citroën Racing participa das categorias WTCC - World Touring Car Championship, WCR - World Rally Championship e JWCR - Júnior World Rally Championship. Na sede da Citroën Racing em Versailles Satory, aproximadamente 200 profissionais trabalham para manter a marca francesa na vanguarda da tecnologia de competições.























































