Nosso querido Fusca
- Nino Albano
- 8 de jan.
- 4 min de leitura

Esse carrinho protagonizou filmes, esteve em letras de música, movimenta diariamente as redes sociais no mundo inteiro e tem uma legião de fãs de todas as idades. Mas além de tudo isso, o Fusca cruza a história da indústria automobilística e da construção da nossa sociedade, tanto que a palavra Volkswagen significa “carro do povo, e esse era o principal objetivo dessa gigante alemã.
A ideia nasceu no início dos anos 1930, quando a Alemanha produzia apenas carros de luxo inacessíveis aos trabalhadores comuns, enquanto do outro lado do atlântico, a Ford e seu modelo T, conquistavam as massas. Para entrar nessa onda, em 1934, Adolf Hitler pediu ao grande Ferdinand Porsche que produzisse um carro barato, confiável, de manutenção fácil, que pudesse transportar dois adultos e três crianças a 100 km/h e fizesse mais que 14 km por litro.
E ainda havia mais uma exigência que se transformaria na característica marcante desse pequeno guerreiro, o motor deveria ser refrigerado a ar, para que a água não congelasse nas baixas temperaturas e ele pudesse atravessar o país, sem problemas. Nos planos de Hitler, esse carro seria financiado pelos bancos alemães, pelo preço similar de uma motocicleta.
Alguns ensaios feitos anteriormente por Porsche junto com a Zundapp e a NSU, o auxiliaram no projeto que começou em 1935 e passou por várias alterações até que em 1937 o modelo W30 produzido em parceria com a Daimler-Benz passou por um teste de 2.9 milhões de quilômetros. O Carro tinha formas arredondadas, sistema de refrigeração a ar e motor montado na traseira do chassi.

Em 1938, o vidro traseiro foi dividido e assim se manteve até 1953, gerando os fuscas, que hoje em dia são os mais desejados pelos amantes do besouro. Esse modelo era chamado de VW38, tinha 25hp e 995cc. Nesse mesmo ano, o Fuhrer apresentou a Volkswagen e chamou o carro de Kraft-durch-Freude-Wagen que em uma tradução livre seria “carro movido por alegria”
Infelizmente, com a chegada da Segunda Grande Guerra a produção civil foi interrompida e a fábrica se voltou aos esforços de guerra. Com isso, nosso pequeno Beetle foi para a batalha e mais de 60.000 unidades da versão “Type 82 Kübelwagen” e dos anfíbios Type 128 e 166 Schwimmwagen, saíram das linhas de montagem.

Em 1945 com o fim da guerra e a derrota da Alemanha, a fábrica da Volkswagen foi “leiloada” pelos americanos, para os britânicos, mas ninguém se interessou na aquisição. Diziam que o veículo não atendia aos requisitos fundamentais de um automóvel, e assim, a empresa passou a produzir veículos para o exército da rainha.
Sua primeira ordem para retomar a produção da fábrica que havia disso bombardeada durante a guerra, foi remover uma bomba que não havia explodido, e estava próxima a equipamentos fundamentais par a produção. Se eles não tivessem feito isso da forma correta e a bomba tivesse explodido, o destino do Fusca teria terminado ali.
A partir de 1945 a fábrica iniciou a produção militar do que passou a ser chamado de “VW Type 1” e em 1947 a produção civil foi retomada e 9000 unidades foram produzidas para o cidadão comum, passando para 19.200 undades em 1948 e atingindo a incrível marca de 1.000.000 em 1955, batendo outros projetos de baixo custo como o Citroen 2CV, o Moris Minor e o Mini. Em 1972 saiu das linhas de produção, o fusca de numero 15.007.034, que bateu o recordista Ford Modelo T, e nunca mais foi superado. Em 1992, mais de 21 milhões de unidades haviam sido produzidas em todo o mundo.

Nos anos 1960, o mercado americano do Beetle (nome dado pela sua aparência similar a um besouro) foi atacado pelos novos e modernos carros japoneses que tinham como proposito segurança, desempenho e tecnologia a baixo custo. Os próprios americanos e depois os europeus entraram nessa competição, e em 1972, as fortes críticas sobre a segurança do nosso guerreiro, fizeram com que as vendas despencassem na Europa e na América do Norte.
Em 1974 a Volks passou a produzir o Golf como resposta aos quesitos de segurança e desempenho da concorrência. Com isso a produção do fusca diminuiu consideravelmente e a partir de 1978 ele passou a ser fabricado apenas no Brasil, México e alguns poucos na Europa. O último Beetle foi produzido no México em julho de 2003. No Brasil ele foi produzido até 1986 e depois de 1993 até 1996.
O Fusca brasileiro

Você sabe porque aqui no Brasil ele era chamado de Fusca? Então se prepare para torcer a língua. A pronuncia de “VW” em português, seria algo como “fauvê”, que pela dificuldade na fonética se tornou “Fulque” e depois “Fulca”. O “S” foi colocado no meio da história para acomodação à língua, é como o caso da palavra “forró” que derivou de “For All”.
Aqui, começamos a fabricação com peças vindas da Alemanha em 1953, e foi só em 1959 que passamos a produzi-lo integralmente na fábrica de São Bernardo do Campo, ainda com a mesma cara dos europeus e americanos. Durante sua produção, tivemos motorização de 1200, 1300, 1500 e 1600cc. Alguns kits foram enviados para produção local na Nigéria e os carros produzidos aqui, foram vendidos para Argentina, Uruguai e Peru.
Uma curiosidade sobre o Fusca é que no início dos anos 1960 tramitou uma lei que exigia que os taxis tivessem quatro portas e cinco lugares. Para manter o fusquinha nas ruas a serviço da população, a Volks fez uma pesquisa provando que a média de passageiros nos taxis era de 1,8 e que carros com duas portas gerariam economia de 20% em relação aos de 4 porta, com isso, o governo não aprovou a lei, e o Fusca circulou por muitos anos como taxi por todo o Brasil.
Esse carro ainda tem espaço reservado no coração dos brasileiros. Muitos são modificados, outros restaurados e ainda existem os que preferem deixa-los exatamente como foram fabricados. Não há como não os encontrar em todos os eventos de antigomobilismo ou não se maravilhar com as histórias maravilhosas de seus donos do todas as idades e grupos.

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