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Forjado em metal

Com sorriso largo e sempre pronto a ajudar e instruir, a história do grande construtor e restaurador de carros, Reinaldo Conegero, inicia em meados da década de 1970, com o impulso de uma carga genética herdada do avô, que iniciou o movimento cerca de 40 anos antes, e de seu pai que fez carreira na Volkswagen. Naquela época, seu interesse e seus negócios eram focados em mecânica, mas, em um desses ventos que sopram a nosso favor, apoiado pela família e por amigos apaixonados por automóveis, começou a se embrenhar pelo fascinante mundo das obras de arte da restauração.

reinaldo conegero

“Hoje, não há o que eu não faça em um carro, desde cortar e moldar o metal, até pequenos detalhes do acabamento”, cita o mestre, quando fala de sua trajetória, e continua: “Atualmente trabalho com carros novos e antigos, mas minha paixão é poder ver os clássicos desfilando novamente pelas ruas e atraindo os olhares de todos para uma história que considero fantástica. Restauração está nas minhas veias, adoro fazer isso! E quanto pior estiver o carro, mais paixão eu coloco no projeto.” Reinaldo também passou por grandes montadoras, que serviram como base de conhecimento sobre várias técnicas importantes na construção de um veículo, porém toda sua arte foi forjada nas oficinas por onde passou. Quando perguntamos sobre os projetos que já conduziu e pedimos para escolher o que mais lhe encantou, ele escolhe, entre os 12 projetos completos de restauração e várias limusines construídas, uma Pick-up Ford F75 de 1975, projeto trazido por um amigo. “Cada detalhe foi um desafio que me motivou a buscar a perfeição”. Ele conta que o carro chegou em pedaços, descaracterizado, com as cores erradas e ferrugem por todas as partes, o que o obrigou a desmontá-lo completamente e refazer cada uma de suas peças. Por ter sido o mentor do projeto do DKW 1964, apresentado em uma de nossas matérias, perguntamos ainda como ele se prepara para um novo projeto e a resposta não poderia ter sido melhor: “Antes de começar o trabalho, olho para o carro, corroído pelo tempo, desalinhado, quebrado, enferrujado, enfim... todo judiado, e mentalizo o que quero. Nesse momento, todas as fases de construção passam pela minha cabeça e eu consigo ver o projeto finalizado, em exposição e com todos o admirando”. Sobre o potencial do mercado brasileiro para carros antigos, Reinaldo entende que não existe uma cultura disseminada no Brasil e que o mercado ainda é restrito. Mas comenta sobre o excelente trabalho que algumas empresas estão fazendo e sobre os vários eventos que cada vez atraem públicos maiores. Na sua opinião, os restauradores devem se aplicar em seus projetos e buscar seu espaço no mercado com paciência e qualidade, para contribuir não só para a reconstrução desses carros incríveis, mas também para a história brasileira. Nossa última pergunta foi sobre como os novos admiradores dos antigos, que pretendem adquirir um desses veículos maravilhosos, devem se prevenir na hora da compra. Segundo ele, a razão deve prevalecer sobre a emoção: “Não devemos nos encantar apenas pela estética, que pode esconder muitos problemas, o carro deve ser escolhido com um objetivo, seja deixá-lo apenas em uma coleção, fazê-lo andar aos finais de semana, torná-lo um carro de uso diário ou ainda revendê-lo, como ramo de negócio. Orçamento e tempo também devem ser considerados, assim como o carro e o ano mais atraente para seu objetivo. Sem um bom projeto o resultado pode ser como muitos, que acabam abandonados em fundos de garagens”. Por isso, uma boa dica é pedir a ajuda de um especialista para o planejamento e para a aquisição de um veículo antigo.

 
 
 

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